De Adriana Caringi ao PM Marcos Marques da Silva ou como o politicamente correto ensinou à criminalidade a usar a sociedade como escudo humano e inviabilizou, na prática, a atividade policial no Brasil.

Houve um tempo, num passado não muito distante, onde a polícia podia tudo – para o bem ou para o mal – no combate urbano à criminalidade. Um exemplo fático disso foi o episódio conhecido como “quatrocentos contra um” ocorrido em 3 de abril de 1981. Quatrocentos policiais civis e militares fizeram um gigantesco cerco a meia dúzia de traficantes/assaltantes de banco num conjunto residencial no Rio de Janeiro. Mais de 2000 tiros foram disparados, o prédio residencial foi parcialmente destruído por explosivos. Resultado: três policiais mortos, quatro feridos, um prédio destruído e o criminoso conhecido como Zé Bigode neutralizado.

À época havia muita vontade de enfrentar bandidos e pouca técnica policial. Havia um estado amparando as ações policiais, que, com eventuais excessos ou não, conseguiam, custasse o que custasse, fazer a contenção da criminalidade violenta.

Os policiais do passado não usavam coletes mas eram temidos pelos bandidos. Não havia armamento de ponta além dos velhos revólveres 38, mas havia muita disposição para o enfrentamento. As viaturas faziam os marginais tremerem as pernas quando passavam. O cidadão comum, cumpridor da lei, andava tranquilo com seus filhos na rua e dificilmente tinha problemas com as autoridades constituídas.

Mas algo mudou no meio do caminho. E há outra ocorrência famosa que parece ser o ponto de ruptura de um passado de liberdade total de ação para a atual situação de grave fragilidade em que a polícia se encontra hoje: o caso do cerco aos assaltantes/sequestradores da professora Adriana Caringi no dia 20 de março de 1990. Neste episódio, um assalto que evoluiu pra uma situação com reféns numa residência, um cabo do GATE(*), considerado um dos melhores atiradores da tropa paulista, avaliou a situação e pensou que havia uma boa janela de oportunidade para encerrar a ocorrência. Na janela a cabeça do sequestrador estava na sua alça de mira, então ele apontou seu fuzil e atirou. Acertou o alvo, mas não contava que a professora sequestrada também teria sua cabeça transpassada pelo projétil. Resultado: um bandido e uma inocente mortos. O caso, como não haveria de ser, causou grande repercussão na imprensa e nas polícias de forma geral. E provocou, a partir dali, um efeito colateral extremamente mortal: a polícia, que antes tudo podia, passou para o outro extremo: o de quase nada mais poder. Isso foi visto claramente no caso Eloá e no caso do Ônibus 147. A inação da polícia neste dois casos são reflexos diretos da interferência política e de parcela da mídia, sempre tão ávida por sensacionalismo. O receio da condenação sumária por qualquer erro operacional agravaram essas situações.

Protocolos de ação policial em ocorrências complexas envolvendo reféns são algo relativamente recente não só no Brasil, mas também em países de primeiro mundo. Quem assistiu o filme “Um dia de cão”, produção hollywoodiana de 1975, pôde observar como a polícia americana agiu de forma instintiva e improvisada no roubo a banco ocorrido em Nova York no dia 22 de agosto de 1972, retratado fielmente nesta obra cinematográfica.

O resultado direto de uma polícia hesitante e fragilizada é a pilha de 70.000 cadáveres anuais vítimas de uma criminalidade desenfreada que não encontra reação efetiva e proporcional do estado. Leis débeis, interpretações judiciais lenientes e cultura pró-banditismo e antipolicial também tem grande parcela de responsabilidade nesta tragédia.

Não se advoga aqui a licença irrestrita para agir. As ocorrências onde morrem reféns são um desastre lamentável e o estado tem a obrigação de indenizar as vítimas. Mas uma verdade inconveniente precisa ser dita com todas as letras: a cobrança politicamente correta da perfeição operacional em todas as ocorrências desconsidera a falibilidade da natureza humana. O policial não é super-herói e, sob imenso stress e correndo risco de vida, em algum momento vai errar e, infelizmente, inocentes eventualmente serão feridos ou morrerão como efeitos colaterais de um combate urbano. Isso é indesejável e lamentável, sem dúvida, mas não existe cenário absolutamente controlado em áreas urbanas, sobretudo as densamente povoadas.

Mas ou aceitamos que polícia deve agir em nome do bem comum, mesmo com erros eventuais e justificáveis, ou renunciamos nossa liberdade entregando nosso destino ao caos do banditismo( e é exatamente isso que está acontecendo hoje no Brasil).

Quando a elite da polícia britânica matou, por engano, Jean Charles, o estado viu que tinha o dever de indenizar. Mas se aqueles policiais sentissem que sua ação não era amparada pelo estado, naquele momento tão sensível, e fossem punidos por agir em tais circunstâncias( no caso bombas e terrorismo), a sociedade seria fragilizada porque ninguém mais se arriscaria por ela.

É por isso que os atuais protocolos de ação das polícias estrangeiras miram no melhor resultado possível e não a muitas vezes inatingível perfeição operacional. Foi por isso que, em 14 de dezembro de 2014 a elite da polícia australiana, para colocar fim a 17 horas de sequestro num café em Sidney, decidiu invadir a cafeteria e matar o sequestrador. Dos 19 reféns, dois morreram. Foi o melhor possível naquelas circunstâncias. A sociedade de lá entendeu o óbvio: é melhor salvar 17 do que nenhum ou menos que isso. Ou a polícia age, ou será pior, mesmo que isso signifique alguma lamentável perda em decorrência desta ação. No Brasil parece ser preferível a morte de 70.000 pessoas nas mãos da criminalidade do que um eventual erro policial vitimar um inocente.

Os bandidos brasileiros estão cada vez mais agressivos porque sabem que poderão usar, impunemente, a sociedade como refém. E terão ONGs, jornalistas e políticos para condenar, sumariamente, qualquer milímetro de margem de erro da polícia. E foi isso que tornou a população do país inteiro refém da criminalidade no últimos anos.

O policial, abandonado por tudo e por todos, é um kamicaze involuntário nesta tragédia. É um herói incompreendido e rejeitado. É espremido entre sua natural vontade de agir, pelo seu instinto de cão pastor, e por uma realidade que a todo momento lhe diz: não vale a pena.

Hoje um grande herói tombou no cumprimento do dever. Estava sozinho contra marginais em superioridade numérica e de armamento. Foi pra cima dos bandidos perigosos contra tudo e contra todos. Mas deixou de agir porque havia um refém no caminho. Mas tanta coisa deve ter passado na cabeça dele nos segundos finais…tanta coisa que o impediu de fazer o que deveria ser feito: puxar o gatilho e preservar a própria vida, voltar pra sua casa e sua família.

Não há nada que condene mais a sociedade à barbárie do que ideologias e doutrinas que matem o espírito de combatente de um policial e coloquem em seu lugar o receio e a hesitação em agir, motivados pelo mais absoluto desamparo e incompreensão da verdadeira natureza desta atividade.

Ou mudamos essa mentalidade imediatamente, ou estaremos irremediavelmente perdidos.

Filipe Bezerra é Policial Rodoviário Federal, Bacharel em Direito pela UFRN, pós-graduado em Ciências Penais e bacharelando em Administração Pública pela UFRN.

Ps(*) – Colegas policiais de São Paulo informaram que o cabo que fez o tiro de comprometimento da ocorrência relatada acima afirmou, diversas vezes, que não tinha visibilidade total para fazê-lo, e que teria agido após ser muito pressionado. A intenção deste relato não é expô-lo ou “condená-lo” – é tanto que este autor sequer citou seu nome – mas fazer um histórico de como chegamos a atual situação de termos sido encurralados pelo politicamente correto e não termos quase nenhum respaldo de atuação. A opinião pessoal do autor é de que a ocorrência em questão foi uma grande fatalidade.

caos

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38 comentários sobre “De Adriana Caringi ao PM Marcos Marques da Silva ou como o politicamente correto ensinou à criminalidade a usar a sociedade como escudo humano e inviabilizou, na prática, a atividade policial no Brasil.

  1. Excelente texto. Uma realidade triste de um combatente que não apertou o gatilho para preservar a vida de outrem ao invés da sua. A família que sofre a perda traumática não será amparada pelos “direitos humanos”.

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    1. Bem fantasioso este texto esta mais para ficção, sou carioca era Ten. PM em 1981 e nunca ouvi falar de Zé Bigode ou de 400 contra um; mais de 2.000 tiros, destruição parcial de prédio?
      A vontade do Policial enfrentar bandidos sempre existiu, esta no sangue e na farda que veste, a qual o faz acreditar ser o Super-Homem e enfrentar um poderio de fogo muito maior do que o Estado lhe fornece, ele é forjado para ” Defender a Sociedade, mesmo que com o sacrifício da própria vida ” é o nosso juramento.
      As técnicas policiais sempre existiram e os cursos de aperfeiçoamentos que são oferecidos para todos os Policiais que queiram fazer e se submetam a concursos.
      Direitos humanos sempre existiram, mas só para os MANOS, naquela época o pior era o ” SABE COM QUEM VOCÊ ESTA FALANDO ? ”
      O Ônibus, foi 174 não 147 – Se houve uma avaliação do Cabo do gate de SP, na nossa houve varias sem que a professora corresse risco algum, houve sim, interferência Política, Não permitindo que o Batalhão de Operações Especiais ( BOPE) agisse nas oportunidades que apareceram, infelizmente no final deu no que deu.
      Quanto ao cabo, correta a ação de não atirar no veículo dos bandidos, contudo no meu entender, titubou por frações de segundos ao não procurar abrigo e não se proteger, vi no filme a cerca de 5/10 um veículo estacionado na calçada, que no lado do motor poderia ter sido seu abrigo e proteção, principalmente porque os bandidos estavam em fuga, não caçando o Policial, a meu ver foi uma fatalidade somada a falta de reação rápida, como por exemplo o motorista da viatura policial procurou fugir em marcha ré das vistas dos bandidos, não foi divulgado em que circunstâncias o Policial morto saiu da viatura sozinho, lamento mas foi o que vi nas varias vezes que assisti o filme da ação no WhatsApp.
      Acredito que o código Penal tem que ser modificado crime de morte (121) tem que ser prisão perpétua ou mesmo pena de morte para o que matar um policial ou cidadão de bem, maioridade penal tem que ser aos 16 anos. para mim a PM é atualmente o último obstáculo entre a Democracia e a Ditadura Comunista, há interesses nítidos dos esquerdopatas em destruir a família, a fé e as instituições, o brasileiro não é Comunista, mas 98% dos Políticos o são e o País vive esse caos objetivando tornar o Brasil uma Venezuela.
      O Policial tem que ser valorizado pela sociedade que defende, tem que ter salários decentes, viaturas blindadas como políticos usam, seus armamentos tem que ser top de linha, o Estado tem que bancar instrução de tiro diariamente, maneabilidade, instruções especiais para atuar na Guerra Urbana que vivemos.
      Aqui no Rio de Janeiro, estamos recebendo nossos salários de 45 em 45 dias, não recebemos 13º de 2016, que dirá o de 2017, o Estado esta falido, a União fazendo jogo covarde não auxiliando o Estado cujo Governadores do PMDB, Cabral ( já preso) e Pezão levaram o Estado a falência e nós funcionários públicos estamos pagando as contas. tem gente que não recebe desde maio. Este é o nosso Brasil.

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  2. Pois é políticos comprometidos, só com a elite de corruptos, falam em meios de comunicação que seria melhor chorar a mãe de um policial do que a de quatro bandidos, uma inversão total de valores.

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    1. É muito bem descrito a situação atual porque passam as polícias no Brasil, não bastasse enfrentar os criminosos, ainda tem que enfrentar o medo constante de responder um possível processo administrativo, no mínimo. Na maioria das vezes comete um erro tentando proteger a sociedade que quase nunca reconhece.

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  3. Muito bom texto. Retrata exatamente a impotência catastrófica que a segurança pública hoje em dia.
    Parabéns pelo texto, pela visão e pela virtude.

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  4. Excelente!!! Sou militar da reserva em mg e ao longo dos meus 30 anos de pm a propria corporacao ja nos obriga a espera o ultimo instante pra puxar o gatilho e digo, vivi esta situacao de ficar frente a frente com uma arma apontada em minha direcao e tive q verbalizar com o agressor pra q ele desistice. Essa conduta q me foi ensinada e é ate hj. A verbalizaçao com o infrator é uma prioridade. Vejo q é um erro e pode custar caro para os defesores da sociedade. Parabens pelo texto!

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  5. Parabéns Filipe !! Excelente explanação da triste realidade atual, onde fala se muito em “politicamente correto”(como se houvesse, alguma coisa correta na política), onde a única coisa que se vê, é a inércia, a incompetência e a estupidez do poder público, aliado a boçalidade e vulgaridade da mídia podre, que doutrina o cérebro do ignorante, mundo afora !!!

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  6. Parabéns pelo testo. ..e simplicou a vida do policial aqui no Brasil.
    Verdadeiros kamikazes.
    Bolsonaro 2018 para tentar salvar o Brasil para os nossos netos ou bisnetos.
    Pq o estrago foi grande nestes ultimos 25 anos.

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  7. O que vejo são Políciais acovardados pela própria instituição policial, esta que se curva a mídia e a política suja e podre daqueles que verdadeiramente deveriam calçar esses combatentes com amparo jurídico e financeiro pois um PM sequer consegue se manter com o mínimo de dignidade.
    Realmente, não vale a Pena!!!

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  8. Gostaria que o Bolsonaro ganhasse as eleições para presidente, mas não acredito que consiga mudar a atual situação de putrefação do país.
    Terá que haver uma revolução e com apoio massivo do judiciário, coisa que não vai acontecer.
    Sabemos que o crime organizado e Fortíssimo no Brasil.
    A comparação que faço é de jogar um pingo de sabão em cima de mil litros de gordura.

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  9. Só existe uma maneira deste quadro imundo comandado pela maior quadrilha de ladrões, ser mudado.
    Nunca mais , repito nunca mais reeleger-mos um candidato.
    Cortamos o elo da corrente.
    Tiramos a arma do inimigo.

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  10. Filipe uma pena vc só ser Prf, Na minha visão de Sgt hj que sou com 25 anos de corporação. Nunca li um texto tão verdadeiro e tão fácil de ser decifrado, com o português tão popular e fácil de ser absolvidos. Será que só vc é tds aqueles que teve seu acesso a está msg ,entende tds esse apelos que não é difícil por em prática até qnd iremos perder pais de família, para os criminoso que não agrega em nada para uma sociedade tão encarcerado qnt a nossa. ..Deus abençoe sempre……

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  11. Excelente texto que explica o aumento da liberdade de ação das facções criminosas ante as ações das ONG que defendem os “direitos humanos” da criminalidade e contam com o apoio da mídia, do Ministério Público e do Judiciário.
    Assim, os Órgãos de Segurança Pública são tolhidos de tomar a iniciativa e são massissamente criticados pela sociedade e condenados pela mídia,

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  12. Texto perfeito: entre tantos argumentos, o de que os policiais estão perdendo o instinto de combatentes , porque NÃO VALE MAIS A PENA lutar por uma sociedade apodrecida pelos desmandos políticos, que corrompem a tudo e a todos (imprensa, judiciário, e outros seres vivos ávidos por benesses particulares), também merece aplausos… Parabéns pela serenidade da análise! Quiçá esse texto chegue a alguém que possa e se disponha a começar a fazer a mudança…

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  13. Sou cb da PM RR é mais pura verdade este texto,me identifiquei pois sempre procurei as palavras certas para relatar aos amigos a realidade da segurança pública atual de nosso país, é o
    papel fundamental do estado.

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  14. Parabéns Felipe, sou PM e tenho 27 anos de combate ao crime no estado de SP, ainda estou na ativa, a nossa sociedade já esta pagando com a própria vida por não apoiar a Policia em geral, comentário como o seu são feitos por pessoas que conhecem o que significa ser policial, os apresentadores de Jornais de todas as emissoras deveriam ser policial por um período, para só depois ser apresentador, o que vejo na televisão são entrevistas com especialistas em segurança, são pessoas que nunca, mas nunca entrou em uma favela atrás de bandido, nunca ficou em uma esquina aguardando apoio para enfrentar marginais na prática de roubo a banco, enfim não sei o que essas pessoas fizeram pra dizer que são especialistas em segurança, não sabem nada além de fazer críticas sem apresentar propostas de melhoria possíveis e corretas, mas com preservação da vida e da liberdade do policial. Infelizmente estamos a caminho de uma guerra civil sim, em que as pessoas já estão começando a fazer justiça com as próprias mãos, em que um vida não vale nada mais do que um celular, do que um valor qualquer de dinheiro que se saca num caixa eletrônico, acredito em mudanças qualquer políticos e/ou repórteres serem vítimas do crime, mas não somente um ou dois, mas sim diversos políticos e repórteres, mas isso nunca acontecerá pois governadores e deputados tem PM como segurança pessoal, prefeitos utilizam a GM como segurança, presidente, senadores e deputados federais tem a sua disposição policiais do senado, exército e dinheiro para pagar seguranças particulares, enquanto eles se protegem com a policia a sociedade fica a mercê dos criminosos, e no final tudo que acontece a culpa é da policia, até o bandido que não fica preso a culpa é da policia.

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  15. Excelente texto! Aplaudi de pé. Esse quadro todo de violência começou ganhar vúlto com a constituição de 1988. Criou-se um estado democrático de direito onde só bandidos ricos ou pobres se beneficiaram e se beneficiam dele. O cidadão comum que trabalha, que paga impostos, por vezes é constrangido na rua e na frente da família , só porque não portava identidade. Um país que não se envergonha de criar um lei dura e específica para punir o cidadão que não cumpre o seu dever com o fisco e não cria um lei de contrapartida, específica para punir exemplarmente agentes públicos com desvio de conduta, que gastam de forma perdulária, irresponsável e desonesta os minguados recursos públicos. Um país em que a imoralidade anda pari passus com a legalidade. Um país que se orgulha de ter um boa democracia e vive mergulhado em sucessivos escândalos sem saber se autodepurar num tempo razoável e sobre a tutela dos princípios democráticos. Nunca tivemos uma geração de homens públicos tão vergonhosa, tão despreparada para as funções que exercem e tão desacreditada pelo povo! Tenho receio que o Brasil na mão desses homens frouxos não venha a ser invadido por outra nação vizinha ou de outro continente. Em outros tempos ainda conseguíamos garimpar alguma pessoa de valor, como Rui Barbosa, Oswaldo Aranha. Agora virou um suplício fazer essa procura. Vivemos mergulhados numa ditadura e há muito tempo. Uma ditadura civil. O povo detém apenas 30% de todo o poder ( 0% do judiciário, 10% do legislativo e sendo bem generoso, visto ser o poder que está sempre evidência, 20% do executivo). O povo nessa democracia é um simples detalhe é lá se vai por água abaixo a máxima do saudoso jurista Sobral Pinto a de que todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. Uma democracia em que os congressistas só agem em benefício do povo sobre pressão. Uma democracia que num espaço de menos de 30 anos, ocorreram dois megas escândalos de corrupção e dois presidentes sofreram IMPEACHMENT. Uma democracia em que o único poder que poderia, de fato, ser independente, uma vez que não é submetido ao crivo popular; a exceção de poucos juízes, põe-se a prolatar decisões políticas e de conveniência. Uma democracia, que graças ao juíz Sérgio Moro, o país inteiro viu o seu poder judiciário ser tratado como massa de manobra pelos outros poderes e, acima de tudo, deixou transparecer quão promíscua é a relação entre os poderes da República. Precisamos urgentemente controlar o PJ. Estancar essa sangria de poder que escapa gratuitamente das mãos do povo. Colocar sobre o crivo popular pelo menos os presidentes do STF e dos Tribunais Superores. Todos vimos como o STF sob a presidência de Joaquim Barbosa fez uma grande diferença. O presidente da república, os parlamentares e governadores já sabem em qual vara serão julgados e,mais do que isso, os dois primeiros podem escolher o promotor e os juízes que lhe darão o veredicto. Qual brasileiro comum tem esse privilégio. E lá se vai pro espaço a igualdade perante a lei. Se chamarmos um instituto de pesquisa externo: britânico, alemão ou francês para levantar qual o verdadeiro anseio atual do povo brasileiro, vai dar na cabeça: Intervenção Militar, fechamento do congresso, cassação dos políticos desonesto e trapaceiros, exílio e ostracismo de alguns, convocação de eleições gerais para todos os cargos sob tutela das Forças Armadas. ISSO É O QUE O POVO DE BEM QUER. Dou como sugestão a instalação de um QUARTO PODER, o Poder Corregedor. Constituído por pessoas sem exercício ou influência política. Cidadão Comuns com formação diversificada, militares e paramilitares das 3 Forças e Forças Auxiliares. Fica o quarto poder em STAND BY. Quando os três poderes existentes colocarem o país na desgraça que está e não se autodepurarem num tempo de 6 meses, com a devida exemplar dos responsáveis, entra o quarto poder descendo o sarrafo em todo mundo. Teremos uma democracia perfeita, nunca mais teremos escândalos, nunca mais um presidente será destituído e um país com normalidade política e democrática tem tudo para deslanchar e tornar-se uma potência mundial. Infelizmente só funciona assim: sempre sob ameaça de um quarto poder. Quem não gostaria de ter uma Senadora como Ana Amélia ou Reguffe? Ou um deputado como Jair Bolssonaro?

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  16. Precisamos publicar mais texto como esses, esclarecedores, para a população possa sentir o drama do outro lado da moeda e saber que a polícia não é contra a sociedade, ela quer defender o cidadão de bem que faz parte da sociedade inibindo a ação dos criminosos! Mas precisa do apoio da sociedade para fazer o seu serviço com eficiência!
    Parabéns pelo texto

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  17. As últimas decisões de ações policiais, prisão de traficantes, bandos armados, evento morte em ações policiais, nos leva a refletir de que lado está o nosso judiciário, do crime organizado ou da sociedade de bem, temos visto decisões judiciárias onde explicitamente estão dando pilha, a marginais e alternando as forças de segurança, será que foram formados pelo crime organizado, a serviço de quem está o nosso judiciário?, o politicamente correto já não convence, porque temos visto uma estirpe do escalão do crime organizado, instalada no poder e no País, fiquem atentos pra não serem julgados pelo povo, paciência tem limite, para Felipe, vive todas as fases elencadas em seu comentário, estamos atento, os engravatados do judiciário e do poder estão pagando pra ver.

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  18. Minha opinião como civil e sobrevivente do Rio de Janeiro é bem diferente da maioria que se colocou – com boas e compreensíveis razões, às quais respeito.
    O que tenho visto ao longo destas décadas no Rio de Janeiro é que o policial vem sendo constante e paulatinamente diminuído em todos os sentidos na missão de guardião da lei e da sociedade.
    Entretanto, políticas míopes por parte do Estado, quase sempre corrupto, tem contribuído para o aumento da criminalidade. As periferias estão inchadas de pessoas sem nenhuma opção de futuro a não ser o crime. O Estado é o primeiro a desmontar toda a estrutura de educação, elemento básico para o crescimento de qualquer nação.
    Por outro lado, policiais não tem salários dignos (como os professores), nem amparo a família ou planos de carreira.
    São obrigados a situações degradantes para cumprir ordens, às vezes, esdruxulas.
    Tenho observado que os policiais não tem treinamento adequado e obrigados a usar equipamento ultrapassado e deterioração.
    A mídia, interessada em manipular a opinião pública de acordo com interesses de grupos e condôminos e não dá população, concorre para a desinformação.
    Por fim e devido a tudo isso, não creio que a melhor política seja atirar primeiro e perguntar depois.
    Apesar do ambiente de guerra civil em que vivemos.

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  19. Texto simplesmente “Perfeito”… Só quem é policial neste país consegue compreender e sentir a plenitude de tudo o que foi escrito aqui. Parabéns ao autor!!

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  20. Grande Filipe,
    Sempre cirúrgico em suas ponderações.

    Sou do tempo do três oitão na cinta, sem ao menos ter certeza de que ele iria responder ao puxar do gatilho mas, naquele tempo eu era a lei, eu era o Estado; me orgulhava disso. Quando sentava em frente ao juiz para explicar os ocorridos, sabia que ele estava lá para punir o criminoso. Por vezes ainda me elogiava face as condições precárias que vivíamos (viaturas arrumadas com vaquinha, arma coletiva, trabalhava feito cavalo), saia do fórum pleno, feliz.
    Hoje, temo o dia em que por um safanão num criminoso (pode ser um desses que alguém citou que não tem outra opção de sobreviver se naonfoi pelo crime… FALA SÉRIO!!!) eu saia dali condenado e ele para ser assistido por um escritório de psicólogos e assistência social.
    Confio na teoria cíclica; o caos há de promover o desespero e estes mesmos irão rogar aos policiais de verdade que voltem a existir. Até lá.. . Cuidarei dos meus, seguirei minha missão medindo cada ato. Jamais me acovardarei mas, verei Nuttelas desfilando aqui, batidos igual robocop mas com medo de agir, sentados em gabinetes climatizados medindo a ação dos coitados que ainda não entenderam; á sociedade precisa pagar… caro, para que voltemos a ter valor!

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  21. Esse texto deveria se impresso nos principais jornais do país, lido em rede nacional. Mas não temos uma imprensa pra isso. Pelo contrário, a mídia está contra o povo. O povo precisa reagir e ignorar, boicotar esse lixo ideológico chamada Globo, Record, SBT, G1, UOL etc… Tá na hora de reagir!!!

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  22. Não lembro qual o companheiro que postou isto aqui no meu WhatsApp, trata-se de um texto de um Ex Policial Rodoviário Federal, Felipe Bezerra, atualmente advogado, que nunca passou por um entreveiro como policial, subir um morro ou combater bandidos e o tráfico de drogas, dá sua opinião como se fosse a certa, inventa bandidos que nós policiais combatentes nunca ouvimos falar, fornece informações erradas, completamente equivocadas e quando contestamos e e damos nossa opinião o cidadão simplesmente ignora, só publica o de quem não sabe nada de nada, principalmente de PM até de casos que estivemos a olho nu o cidadão relata como se fosse a verdade. Aos jovens Tenentes de 1981 vocês conheceram o Bandido Zé do Bigode?, que necessitou de 400 policiais e 2.000 disparos de arma de fogo para não sei o que, se prendê-lo ou quebrá-lo, ou ainda sobre o caso do 147 que não existiu e sim o 174, informações completamente equivocadas do cidadão, falar de Polícia, me desculpem somente quem é Polícia. Estamos cheios de ideias de Policiologos, políticos envolvendo-se em segurança e a segurança Pública esta a merda que esta.

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  23. Sou militar reformado em MG em fevereiro deste ano, graças a Deus. Estive por diversas vezes em situações semelhantes, sempre visei em abrigar me visando minha proteção e consequentemente consegui yranspor meus trinta anos, fico triste que o amigo de farda não teve o privilégio de chegar a fim de sua careira em vida. MAS infelizmente o estado e o direito humanos não dá o amparo legal ao humano direito,por isso que o irmão de farda exitou em atirar contra esses delimquentes pois sabia que se acertasse a vítima,ele e sua família seriam punidos pelo estado e certame perderia a farda opitando em perder a vida e amparar sua família por um pensao pós morte. Que DEUS ampare o 3 SGT PM Marcos e seus familiares e parabéns ao relator do testo que abodou o assunto com conhecimento e perspicácia como se fosse um de nós.

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  24. Excelente texto, foi no cerne da questão.Sou policial militar e muitas vezes vivi situações parecidas com a que vitimou o Cabo Marcos Marques da Silva.Precisamos urgentemente, no Brasil, mudar essa visão distorcida que uma grande parcela da mídia, das autoridades e da população têm sobre a polícia e suas ações. Os criminosos estão cada vez mais violentos, e sentem-se encorajados a reagir a qualquer intervenção policial porque estão quase sempre em maior número e com poder de fogo superior.Vivemos uma guerra não declarada em que somente um dos lados segue regras, normas e protocolos, e por essa razão a letalidade e voracidade dos criminosos só aumenta pela certeza da impunidade, e pela inoperância do Estado em puni-los e fazer com que as leis sejam cumpridas.

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  25. Muito bem descrito a situação por que passam as polícias no Brasil, no afã de executar um bom trabalho defendendo a sociedade, ainda tem que conviver com o medo constante de responder um processo no mínimo administrativo. Essa idéia contribuí muito para freiar as ações dos policiais e encoraja mais ainda os marginais que contam sempre com o apoio dos direitos humanos. Nunca vi esse tal de direitos humanos visitar os familiares de policiais abatidos em combate para dar apoio. Esse é o quadro da segurança no País.

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  26. Grato pela publicação, creio que deva ser assim, cada um dando sua opinião concordando ou discordando, mas enriquecendo o assunto, juntando experiências para uma Segurança melhor, é triste saber que labutamos 35 anos nessa área, demos nosso sangue e não tem retorno de nada, cada dia esta pior.
    Grato e perdoe-me se fui contundente .

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  27. Consegui descobrir o Zé do Bigode, inclusive quem tenha participado da ação, na época fazia um curso pela corporação com duração de 3 meses, eis o porque o grupo do curso estava desligado da ação, contudo, não posso dizer operação, pois foi uma bagunça, generalizada, claro que exagerado o número de policiais sem comandamento, que agiam somente pela emoção, pois pensavam ter um policial morto, analisei os fatos pelo lado técnico e entendi agora que naquele tempo fazia-se merda e dava para segurar, o que hoje não passaria em branco pela imprensa marrom e os direitos dos manos.
    Minhas cordiais excusas.

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  28. Excelente texto, verdadeiro, direto e real e infelismente é a triste realidade que vivemos. A toda hora morre alguém vítima da criminalidade a qual os seus executores (bandidos) na certeza da impunidade estão cada vez mais agressivos, audaciosos e crueis não poupam ninguém nem mesmo a tão fragilizada, discriminada e desamparada Polícia Militar brasileira, nem o próprio governo que deveria incentivar suas polícias através de leis específicas , armamentos de ponta que se equipa de pelo menos aos bandidos em se tratando de armamento nem pela proteção individual nem jurídica, esses os PMs perdem suas vidas muitas vezes pra salvar a vida dos outros. Uma guerra cruel e desigual!!

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