Polícia x Armas brancas

arma brancaExiste uma regra básica de policiamento que nós aprendemos com o passar dos anos: quando sair para atender uma ocorrência espere sempre o pior dos cenários.

Desde o curso de formação aprendemos que “defesa pra faca é pistola”. Quero deixar claro que não se trata de atirar à toa, mas tão somente quando uma agressão com arma branca puder vitimar um policial. Neste caso não há tempo de verbalizar, de atirar em local não letal, ou perpetrar qualquer outra forma de contenção. É caso de “ou ele ou eu”.

Àquela época(2004) não havia ainda uso de armas menos que letais como o taser por exemplo( e nem vou citar o spray de pimenta porque ele não é indicado pra esse tipo de situação). Um oponente que sabe manejar bem uma arma branca é capaz de fulminar a vida de um policial atingindo, de relance, alguma artéria do pescoço ou mesmo a femoral em sua coxa, áreas que não são protegida pelo colete balístico( e há de se ressaltar também que os coletes utilizados pelos policiais não oferecem proteção pra esse tipo de agressão).

Aprendemos também que a resposta com arma de fogo só deve parar quando cessar toda e qualquer ameaça à vida e à integridade física dos policiais e de terceiros. Há relatos de bandidos que levaram mais de 7 tiros de pistola 380 e não caíram e ainda mataram policiais(foi inclusive uma ocorrência desta natureza, nos Estados Unidos, que motivou o desenvolvimento do calibre .40, que tem grande “poder de parada” e por isso é indicado para o serviço policial). Quem não é da área policial pode achar que é um abuso ou exagero atirar várias vezes pra netralizar um suspeito, mas dependendo do calibre e se não for atingida áreas sensíveis do corpo, o oponente continuará a agressão e poderá abater os agentes de segurança pública. Então repito essa regra de ouro: a reação só deve cessar quando neutralizar totalmente o potencial ofensivo do agressor. Os cursos de formação mostram vários exemplos de casos de mortes de policiais que negligenciaram essa regra e por isso essa é a melhor doutrina a ser adotada nestes tipo de confronto(vide o vídeo abaixo onde vários policiais são mortos por um sujeito com uma faca):
http://www.youtube.com/watch?v=jKCgu5AYQ2k

Há outra situação que não muitas vezes não é considerada pelo leigo: ao se entrar em contato corporal com o agressor, este, se tiver uma compleição física mais avantajada ou mesmo dominar uma arte marcial, pode facilmente tomar a arma de fogo do policial e disparar contra este e os demais agentes. Vejam que um indivíduo desarmado, pode fazer muito estrago e acreditem: vários policiais ao redor do mundo já perderam a vida através de suas próprias armas. Por isso uma distância de segurança mínima deve ser estabelecida e, em certos casos, se o oponente não obedecer esse perímetro de segurança e partir para tomar a arma do policial, este poderá, para resguardar a própria vida, ter que recorrer ao disparo de arma de fogo. Neste outro caso isso quase aconteceu no início do vídeo, e quando o ofensor pegou uma faca para matar um policial o outro foi obrigado a fazer uso de arma de fogo para neutralizá-lo:

http://www.youtube.com/watch?v=WvE93mxDris

É realidade de grande parte das forças policiais não terem à disposição armas não letais. O uso do taser, se fosse disseminado(o que não acontece na prática), operaria verdadeiros milagres como este o onde PRFs conseguiram conter perfeitamente um homem armado com uma peixeira na Bahia:

http://www.youtube.com/watch?v=WreCfGHa8Bk

No caso desta semana ocorrido em São Paulo, na minha avaliação, a conduta dos policiais foi absolutamente perfeita e sem excessos. As imagens mostram que, no momento, não havia disponibilidade armamento não letal(taser). Era confronto corporal ou uso da pistola. O primeiro se tornou inviável a partir do momento que o agressor fez uso de arma branca(estilete) e esta era suficiente e hábil para provocar lesão grave ou letal no policial(pescoço ou femural), por isso o uso da pistola se tornou indispensável.

É por esse tipo de escolha que existe o mais popular dos ditados policiais:

“É melhor ser julgado por sete do que carregado por seis.”

É por isso que não há profissão mais complexa e ingrata do que a atividade policial. Naquele centésimo de segundo temos que escolher se vamos tentar sobreviver ou se vamos hesitar e arriscar a perder a vida. E é muito mais sábio responder na justiça do que ter seu corpo carregado num caixão.

Resta aos dois sobreviventes ouvir a condenação prévia da mídia, a ingratidão da sociedade, perder promoções na carreira e responder longos processos administrativos e criminais que tiram de pronto sua paz e podem fazer você perder seu emprego e sua liberdade.

Por isso, para você que teve paciência de ler esse texto todo eu digo: valorize e respeite quem defende a sociedade. Pois quando o último policial motivado desistir de sua missão, o caos completo estará instalado e não haverá mais nada que possa ser feito.

Filipe Costa é Policial Rodoviário Federal, Bacharel em Direito pela UFRN, Pós-Graduado em Ciências Penais pela UNIDERP e bacharelando em Administração Pública pela UFRN.

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